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Lombok: O que começa mal…

Uma aventura não é uma aventura quando tudo está a correr bem, sem stresses e imprevistos 🙂
Para vos contextualizar, saímos da Gili Air, uma ilha paradisíaca, de água azul turquesa e areia branca só para nós, onde todas as pessoas da ilha tinham boa cara e boa onda… Os restaurantes eram óptimos, a atendimento fantástico… Enfim, tudo perfeito. No último dia na Gili Air, apanhamos um barquinho para cruzar o mar da Gili Air até Lombok (das três Gili, esta é a ilha que está mais perto da ilha de Lombok – vejam o seguinte mapa).
Nas ilhas Gili existem vários postos onde podes comprar o teu bilhete de barco juntamente com o bilhete de autocarro. Ou seja, nós compramos um bilhete para que nos levassem de barco da Gili Air até Bonsal e de autocarro de Bonsal até Kuta Lombok.

Agora, a história.

Chegamos a Bangsal (desde a Gili Air) e qual é o nosso espanto, – depois de sair do barquinho que nos tinha transportado até ali, calma e tranquilamente – que nos “assaltam” dezenas de pessoas a tentar de tudo e mais alguma coisa (vender-te viagens, tentar levar a tua bagagem…) de uma forma bastante assustadora e agressiva. Antes de termos embarcado já tinhamos lido alguns comentários negativos sobre esta zona e sobre como abordavam os turistas (basta pesquisar no Google as reviews de Bangsal Harbour). Mas nós não calculávamos que era mesmo mau.

Ao chegar a porto, um longo caminho tivemos que percorrer até que nos deixassem em paz. Na mão levávamos num papel com o nome da agência à que tínhamos comprado o bilhete, o nome do suposto café (da estação de autocarros onde nos tinhamos que dirigir) e o nome do taxista que nos levaria até ao nosso hotel (que ficava em Kuta Lombok, a mais ou menos duas horas de Bangsal). Além disso, também tinhamos a indicação de que esse café ainda estava a 500 metros do porto onde o caos acontece, por isso tinhamos a noção de que tinhamos de continuar a andar para encontrar o sítio e – sobretudo – afastar-nos daquela multidão sedenta por “roubar-nos” dinheiro.

Seguimos à procura do conductor…

Escusado será dizer que a abordagem era de tal forma agressiva que além de nos tentarem enganar sobre TUDO (onde estava a estação, qual era a empresa dos autocarros, etc). Até houve uma alminha que surgiu nesse caminho e nos mentiu sobre o próprio nome, tentando fazer-nos acreditar que ele era o suposto taxista que nos tinham indicado na ilha e que nos iria levar. Foi tudo muito confuso. Até entrámos numa discussão bem acesa com ele, (um senhor bem mentiroso, por certo, e que merecia que o karma tratasse dele). Bem, continuámos á procura do tal café onde estaria o tal senhor que nos levaria finalmente a Kuta, tentando ignorar todo aquele stress que tinhamos acabado de viver.
Chegámos à “estação de autocarros” e havia, sem mentir, mais de uma dezena de senhores sentados e a fumar. Perguntámos-lhes se estávamos no sítio certo, e sim, pelos vistos tinhamos chegado ao sítio certo. O melhor de tudo? É que nenhum deles era o motorista. Ah, esperem!
Aquele senhor que dizia ser o nosso motorista teve a lata de vir atrás de nós de mota a dizer que ele era o motorista e que não nos ía levar porque tinhamos sido “más pessoas”. E aqui só para nós (óbvio que era o master do bluff).
Os nervos estavam sobre nós, mas por outro lado, também nos estávamos a tentar acalmar. Já sabíamos que não havia mais remédio que pagar a outro morista ou empresa para nos levar. Isso, de certeza. Só não queriamos ser enganados mais uma vez.
Em Bali e Lombok não existem os “autocarros” que estamos habituados em Portugal. São pequenas carrinhas privadas onde cabem mais ou menos 10 pessoas (e ás vezes nem isso), e é a única forma de te moveres por ali sem teres de alugar mota ou pagar um táxi.

A aventura continua…

Vendo a nossa indecisão, um daqueles senhores que estava sentado no café veio ter connosco para tentar fazer negócio connosco. Ele veio de mansinho a “tentar fazer-se nosso amigo”, mas é óbvio que ele queria fazer negócio. E isso não me parece mal, de todo, desde que não seja aldrabão nem agressivo, claro. Esse senhor arranjou-nos maneira de nos levar (e de cobrar por isso também, claro). Finalmente, e pagando mais uns 10 euros conseguimos que nos levassem até Kuta, esse destino tão elogiado nos blogues e nas redes sociais.

A verdadeira Kuta Lombok: um fiasco.

Cheguei a Kuta Lombok cheia de expectativas, depois de ouvir tantas histórias de paraíso intocado nos blogues de viagens e de alguns instagrammers. Ficámos dois dias por ali para explorar a zona e procurar a magia que tinha ouvido falar tanto. Kuta Cidade é um sítio cheio de pó, sujo, com não muito mais que alguns warungs, cães, vacas, mesquitas e crianças descalças a vender pulseiras incessantemente. Isso sim, com os pais a vigiá-las em cima das motos (mas, obviamente disfarçando o facto de que não são os seus pais), para despois as levarem a outros restaurantes e assim constantemente (até considerarem que fizeram um bom negócio com as suas filhas).
(Para os que pensam que tanta sujeira se devia ao terremoto do passado mês de Agosto, desenganem-se, porque os estragos não chegaram ao sul da ilha, que é onde fica Kuta).
As estradas a oeste de Kuta proporcionam excelentes vistas ao mar azul, uma porção esparsa de palmeiras, mas a terra nas colinas é árida e estéril, o que apresenta pouco interesse e muita poeira para quem se desloca de mota.

Mal chegamos a Kuta Lombok dirigimo-nos ás cabanas que tinhamos alugado na Booking. Chegamos e o sítio era medonho: descuidado, poeirento, o quarto estava sujo e não estava para se apresentar a ninguém. O melhor de tudo? Que o suposto dono daquele espaço nos recebeu sem modos e já assumindo que não queriamos o quarto, perguntou: não o querem, não é? E nós, obviamente, demos meia volta. 🙂
Parámos para tomar um café, porque não estavamos a conseguir gerir tanta emoção junta. Além disso, também tinhamos de procurar um novo hostel, com calma, para podermos ficar essa noite.
Para lhe darmos uma segunda oportunidade, (já que no primeiro dia fiquei a odiar Kuta Lombok), fomos visitar a praia da zona que também diziam que “era espectacular”. Se por algum motivo os bloggers deste mundo andam a tentar enganar o público a dizer este tipo de coisas, acho muito mal. Se eles efectivamente acham que Kuta Lombok e a sua emblemática praia vale a pena ver, acho muito mais grave.



Uma coisa super desconfortante que acontecia lá era perguntarem-te constantemente: onde é que vais? É uma pergunta um tanto ou quanto evasiva, dado que não te conhecem de lado nenhum. Isso ainda mexia mais com o bem-estar geral da pessoa (ou mau-estar, depende da perspectiva). O ambiente em geral não era bom. Como se não bastasse, a caminho da praia fomos surpreendidos com uma luta entre uns rapazes e um guarda e isso não ajudou a melhorar a minha visão daquele sítio (que já se nota em crescimento, dado que lá começa agora o boom turístico). A praia era suja, descuidada, e não era, de todo, convidativa a banhos.

Acabamos por encontrar outro hotel bem jeitoso, com piscina, uma cama bem confortável no meio de Kuta, mas tinha um problema, estava ao lado de uma mesquita. Para quem não sabe, os muçulmanos rezam cinco vezes por dia e levam isso demasiado à regra. Quando digo “demasiado” é que os cantos deles se adentravam nos meus sonhos ás 04h30 da manhã, todos os dias, e mais pareciam gemidos de torturas, sinceramente. Foram dois dias bem intensos, é verdade…

Mas o que começa mal, também pode acabar muito bem!

Dois dias bastaram para nos vermos livres de Kuta Lombok e seguir rumo a oeste, onde as praias são realmente lindas! Eu adorei a praia de Selanog Belanak, estive lá seis dias a surfar e conhecemos gente realmente simpática! Estava feliz a fazer isso e o hotel era fantástico (Ola Ola Lombok), porque tinha de tudo: piscina, calma, papas de aveia para o pequeno-almoço, panquecas de banana e sumos naturais… e um espaço muito agradável para podermos trabalhar! Nesta zona, apesar de ainda se notar uma certa curiosidade face aos emigrantes (transmitida sobretudo pelo olhar), é uma zona mais virgem e com muito menos assédio, comparativamente a Kuta.

Pequeno-almoço no Ola, Ola Lombok

Hotel Ola Ola

Selong Belanak

Selong Belanak

Selong Belanak

Hostel Ola Ola, em Lombok

 
Selong Belanak ao final da tarde

 

Em jeito de conclusão:

Este artigo reflecte apenas a minha opinião sobre os sítios que visitei. Não serve de forma nenhuma para generalizar a opinião sobre a ilha de Lombok.
De qualquer forma, o objectivo deste artigo é de alertar para o facto de que nem sempre tudo aquilo que lemos e vemos nos blogues é verdade (e isto pode funcionar para os dois lados). Devemos procurar muito, investigar, e nunca deixar de lado a nossa intuição, porque pode falhar (para ambos os lados, como digo).
Boas viagens e óptimas experiências!!

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Dora Matos - Health Coach