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Macau, a casa portuguesa do outro lado do mundo

Tenho uma casa portuguesa do outro lado do mundo e não sabia!
Para um português, Macau é uma autêntica surpresa em todos os sentidos: arquitectonica, gastronómica e culturalmente falando. É uma amálgama feliz e curiosa entre duas culturas distintas. E para quem pensa que a visita a Macau se resume a ver casinos, está muito enganado. É como encontrar uma recordação de um Portugal que ficou e ainda permanece nestas coordenadas.

Fomos a Macau num ferry desde Hong Kong. A viagem até lá é tranquila e a paisagem está repleta de oceano, pequenas ilhas verdes e muitos edifícios de um lado e do outro. A chegada a Macau foi curiosa. Descemos do ferry e comecei logo a ver os letreiros em português (sempre em português). Está tudo tão traduzido que me pareceu mais português do que algumas zonas de Portugal. Chegamos à estação e apanhámos um autocarro que nos levou até ao centro, concretamente até à Praça Ferreira do Amaral. Esta praça é a mais cêntrica daquela cidade-estado. Cheia de imponentes e extravagantes casinos, é uma praça intimidante que te deixa um pouco desorientado à primeira vista pela falta de indicações.

Grand Lisboa: considerado o segundo edifício mais feio do mundo pelo website Virtual Tourist


Tinhamos a morada da minha amiga Filipa, que vive nesta cidade há quatro anos. Não parámos directamente em casa dela porque a essa hora ela ainda estava a trabalhar. Não entrava dentro dos nossos planos fazer turismo com as malas ás costas, por isso decidimos parar num restaurante local, almoçar e trabalhar um bocado.

Nesse dia parece que tínhamos regressado a Portugal.

À noite a Filipa organizou um jantar com amigos portugueses a viver em Macau com presença de vinho, cerveja e queijos portugueses…E foi festa garantida! (Sim, nos supermercados em Macau há muitos produtos portugueses, do Continente). Foi a primeira vez que saimos à noite nesta viagem… E adivinhem para onde? Para o TT, um bar mítico onde se encontram todos os tugas aos fins-de-semana (e não só). Sentia-me verdadeiramente em casa.

Capela de São Francisco Xavier
Eu com a Filipa no bairro de Coloane
A calçada de Macau escreve a história de um passado muito presente…

Durante o dia a presença portuguesa destaca-se doutra forma: arquitectonicamente e gastronomicamente! Macau ainda guarda religiosamente a calçada e os edifícios deixados pelos portugueses que permanecem naquele território há mais de 4 séculos (não é brincadeira!)… Mas não só: também guarda os pastéis de nata!
A Filipa, como boa conhecedora daquela cidade e como grande afitriã, preparou-nos uma rota por Macau sem perder os pontos turísticos mais interessantes. (Já agora, podem seguir o blog dela). Podem seguir esta rota de acordo com a ordem que indico, porque os locais estão por ordem geográfica.

1. Templo de A-Má

Este templo já existia antes de Macau ter nascido. Especula-se que o templo foi construído pelos pescadores chineses residentes de Macau no séc. XV, para homenagear e adorar a Deusa A-Má (Deusa do Céu). Pensa-se que os portugueses desembarcaram pela primeira vez em Macau no ano de 1554 ou 1557, mesmo à entrada do Porto Interior, também chamada pelos pescadores chineses de “Baía de A-Má”. Segundo as lendas do séc. XVI, o nome da Cidade deriva precisamente da palavra em cantonense “A-Má-Gau”, que significa literalmente Baía de A-Má. (dados retirados da wikipedia)

2. Capela de Nossa Senhora da Penha

Foi talvez, o ponto que mais gostei de ver nesta rota porque as vistas sobre a cidade são impressionantes.
Esta capela foi construída em 1622 (ano da invasão holandesa a Macau). Antigamente, a capela servia como local de peregrinação para marinheiros católicos que embarcavam para uma viagem perigosa.


3. Biblioteca de Macau

O que mais me chamou á atenção nesta biblioteca é a sua arquitectura. Por momentos pensei estar em Lisboa.


4. Teatro São Pedro

Construído em 1860, este foi o primeiro teatro de estilo ocidental na China acolhendo inúmeros espectáculos de ópera, música e dança, Para além da sala de espectáculos, possuía ainda um salão de baile, uma sala de leitura e uma sala de bilhar, sendo um importante ponto de encontro entre a comunidade portuguesa da altura.


5. Largo do Senado

Com tanta gente que estava lá neste dia, quase nem dá para adivinhar a calçada que se pisa neste Largo do Senado. Este foi sempre o centro urbano de Macau e é também uma zona adequada ao convívio e às actividades culturais. Mais à frente podemos chegar ás ruínas de São Paulo.


6. Ruinas de São Paulo

As Ruínas de São Paulo é o que resta da igreja da Madre de Deus devido a um incêndio que ocorreu em 1835. Pode-se dizer que as Ruínas de São Paulo são a “Acrópole de Macau”. A antiga igreja da Madre de Deus, o Colégio de São Paulo e a Fortaleza foram todas construídas pelos jesuítas. Tudo o resta desta igreja é a imponente fachada de granito e a escadaria monumental de 68 degraus.


7. Jardins de Monte do Forte

Ao subir as escadas das Ruínas de São Paulo vemos logo os jardins de Monte do Forte ao lado. Podemos chegar ao Forte que se encontra no topo do jardim se

Jardins de Monte do Forte
8. Fortaleza do Monte

É um monumento histórico e desmilitarizado incluído no Centro Histórico de Macau, mesmo ao lado das Ruínas. O incêndio que atingiu as Ruínas de São Paulo também chegou à Fortaleza do Monte. Após o incêndio, os edifícios da fortaleza nunca mais foram reconstruídos. Décadas mais tarde, a Fortaleza do Monte foi transformada num parque público devido à vegetação que cresceu naturalmente nos terrenos da fortaleza. Actualmente é um espaço muito popular entre os residentes e turistas pelo facto de ela oferecer uma vista panorâmica de Macau.

9. Praça Ferreira do Amaral

Nesta praça é onde podemos admirar alguns dos casinos mais imponentes da cidade. De cortar a respiração.

Casinos em Macau
Casinos em Macau
10. Provar os pastéis de nata!

A caminho destes pontos turísticos mais interessantes facilmente podemos encontrar pastéis de nata à venda. Devo dizer que já tinha provado um em Malacca (que também foi território português no passado) mas não gostei tanto porque achei que o recheio era demasiado insípido e com uma textura parecida a pudim, mas sem ser doce. Em Macau encontrei pastéis de nata muito mais parecidos aos“nossos verdadeiros” e que me serviu para matar as saudades!

Numa rua de Macau a provar o pastel de nata, ou “egg tart”, como dizem eles

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Dora Matos - Health Coach