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O que aprendi com o voluntariado na Roménia

Chegou o momento de partilhar convosco esta experiência do início ao fim, com toda a sinceridade do mundo. Eu inscrevi-me no Serviço de Voluntariado Europeu, para um projecto na Roménia, com duração de 9 meses. Neste site podes encontrar dezenas de ofertas de voluntariado em qualquer parte da Europa.

A PRIMEIRA IMPRESSÃO…

Quando vi a descrição das actividades do meu voluntariado gostei e inscrevi-me.  Many Faces of the Bicycle era o nome do projecto e o objectivo era promover a utilização da bicicleta nas cidades.  Tinhamos que dar palestras em escolas sobre este tema, organizar eventos, publicidade, fazer gestão de redes sociais e dinamização de actividades. Tudo isto numa cidade bastante pequena, mesmo na fronteira com a Hungria: Arad. Aliás, eu fui de avião até Budapeste, porque Arad fica mais perto da capital da Hungria do que da capital da Roménia.
Ver Também: UMA CAPITAL À PROCURA DA SUA IDENTIDADE
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PERGUNTAR, PERGUNTAR E PERGUNTAR….

Antes de ires à aventura (o que acho muito bem, para a aprendizagem pessoal e profissional), informa-te bem. Pergunta tudo o que te vier à cabeça e o que não vier também. Deves ter em conta que vais para um país estrangeiro e por isso deves informar-te até ao último pormenor. No meu caso, lembro-me perfeitamente da troca de emails (porque foi tudo feito muito em cima da hora, no meu caso). Estava no México a responder a emails para estar na Roménia no mês seguinte com tudo tratado. É impossível ficares a saber tudo ao pormenor. Até ires viver para o teu destino não vais saber realmente quais as dificuldades, problemas ou do que mais gostas… Isso também vai depender da tua relação com a cidade.
De qualquer forma, pergunta sempre e várias vezes se for preciso:

  • Que trabalho vais fazer, bem explicado.
  • Quanto dinheiro vais receber por mês.
  • Que documentos deves levar e que de documentos deves tratar no país de destino.
  • Como será o dia-a-dia no escritório/associação.
  • Onde irás dormir, com quem, como….
  • Dão-te refeições durante o dia ou tens de comprá-las com o dinheiro que te dão no final do mês?
  • O dinheiro do transporte é dado à parte do meu “salário”? 

Algumas destas perguntas podem parecer insignificantes, mas acredita que quando chegares ao país de destino vais ficar mais descansado por ires com as tuas dúvidas esclarecidas. E tê-las por escrito é mais importante ainda, para te poderes defender em caso de engano ou mesmo de abuso por parte da Associação (tudo pode acontecer).
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EXIGIR OS MEUS DIREITOS

Como eu tinha dito logo no início, o nosso trabalho passava por incentivar as pessoas a usarem mais a bicicleta na cidade do que o carro. Além desse trabalho diário, durante as nossas primeiras reuniões semanais pediram-nos que limpássemos o escritório todas as semanas, coisa que a Associação não tinha mencionado nunca em nenhum email.
Ora, visto que as Associações de voluntários recebem dinheiro da União Europeia por cada voluntário que conseguirem e que muito pouco desse dinheiro é destinado ao voluntário, eu pensava: Será que não podem pagar a uma pessoa um dia por semana para limpar o escritório? Aí a coisa começou a azedar um bocadinho porque eu comecei a ver que, de certa forma, começavam a pedir mais do que aquilo que tinhamos falado. E atenção, uma coisa é limpar  meu espaço e outra é limpar todo o escritório.
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APRENDER A DIZER O QUE SE PENSA SEM VERGONHA

À medida que ía passando o tempo, ía vendo que a Associação estava mais interessada em preencher os requisitos burocráticos para receber os fundos da UE do que para trabalhar no objectivo para o qual fomos “contratados”. Digamos que não era uma sensação só minha, porque o grupo partilhava essa opinião. Por exemplo, a nossa Associação era de desporto e o nosso tema eram as bicicletas. No entanto, tinham um armazém cheio de bicicletas velhas e estragadas. Não tem muito sentido uma vez que as bikes deviam ser algo a prezar naquele espaço. À medida que ía vendo estas coisas que não tinham muito sentido nem lógica, comecei a falar e a questionar. O nosso grupo ía fazendo propostas ao longo do tempo, mas a Associação não sabia ver essas sugestões como uma aprendizagem e em geral o ambiente começou a ficar mais pesado.

SABER QUAIS SÃO AS TUAS PRIORIDADES

Supostamente o voluntariado era de 9 meses, mas tive de adiar o meu regresso porque sinceramente estava a ver que o meu tempo não estava a render nem a ser valorizado. Falei com a Associação e expliquei-lhes a situação. Por esse motivo, o meu voluntariado durou 3 meses. Foram meses bem intensos  de onde também retirei muito boas experiências, como poder trabalhar com várias pessoas de outros países e poder viajar pela Europa.
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OPORTUNIDADE DE VIAJAR PELA EUROPA

O facto de a vida ser mais barata ali permitiu-me viajar por alguns países da Europa de maneira mais folgada, digamos assim. O que eu ganhava com o voluntariado apenas dava para as minhas despesas básicas na Roménia (e era mesmo à conta). Mas com as minhas poupanças e com o facto do transporte naqueles países ser bastante mais acessível deu para visitar as capitais da Sérvia, Hungria e República Checa. E gostei imenso de todas!!
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RECOMENDARIA O VOLUNTARIADO?

Sim, totalmente.
Obviamente a minha é apenas uma experiência no meio de milhares. A conclusão que gostava de comunicar a todos os que querem fazer voluntariado é que devemos ser sempre assertivos, sinceros e pensar em nós e nas nossas prioridades, sem nunca nos desrespeitarmos. Esta experiência de voluntariado serviu-me para me auto-analisar e auto-compreender. Serviu para saber o que quero e para utilizar as minhas capacidades noutras facetas da minha vida.  É uma oportunidade que acho que qualquer jovem deve agarrar e que pode trazer muitos frutos.
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Dora Matos - Health Coach