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Saudável ou simplesmente… marketing?

O conceito “saudável” é tão utilizado que já perdeu o sentido, na minha opinião. No diccionário de Lingua Portuguesa, “saudável” quer dizer “estado de bem-estar e equilíbrio físico, mental e psicológico.”.

Hoje vou falar do lado sujo do “ser saudável”, um conceito extremamente banalizado e democratizado em vários contextos e demasiado usado no marketing.

Gordofobia, discriminação, “mulher real”, auto-aceitação…?

Conceitos que todas conhecemos, já lemos ou ouvimos falar, de certeza. Os meios de comunicação, o marketing e a repetição destes conceitos nas redes sociais fazem com que se integrem rapidamente no nosso vocabulário. Mas até que ponto têm sentido? Já refletiste sobre o impacto que têm na sociedade?

Vou contar-te uma história.

No outro dia ia a caminho de mais uma sessão de coaching e vi um senhor a atravessar a estrada que cruzava o supermercado com extrema dificuldade, com 12 garrafas de Cola. À primeira oportunidade pousou aquelas garrafas num banco de rua e parou para descansar. A dificuldade dele sufocou-me só de olhar. O senhor respirava com tanta dificuldade que estive a poucos minutos de perguntar se queria ajuda.

Esta é das situações mais comuns hoje em dia. Vejo também cada vez mais crianças com obesidade, o que me choca, de certa forma.

Fico sensibilizada com isto, cada vez mais, talvez porque também cada vez mais tenho mais informação e conhecimento acerca do tema. Mas fico ainda mais quando vejo campanhas hipócritas a democratizar a palavra “saudável”. Refiro-me, por exemplo, a esta capa da Cosmopolitan:

O que é que vos transmite?

Independentemente do nível de saúde tanto do senhor como da senhora, questiono e critico diretamente o sentido que esta publicidade faz num momento em que GRANDE parte da população sofre deste problema de saúde: obesidade, que é uma das maiores causas actuais de morte mundial, e sobretudo num contexto de pandemia (em que mais de 60% dos que morreram sofriam de obesidade ou excesso de peso). Enfim, aqui não há nada para festejar, a meu ver.

Este tipo de capas sublinham o tão repetido “aceita-te como és” sem convidar a pensar muito sobre a afirmação. Estas revistas vendem mais assim. É o que lhes interessa, realmente.

“Nos países onde mais de metade da população sofre de obesidade, a taxa de mortalidade devido à covid-19 é 10 vezes mais elevada”.

Federação mundial da obesidade

Estas revistas, jornais, negócios… apliam o público e criam a ilusão de uma realidade saudável para estas pessoas, porque elas se identificam com o que vêem na capa e assumem que estão bem.

“A mulher real” está na moda (como se alguma mulher não o fosse!)… Então aproveitam-se da mensagem ao máximo, tentando tirar o melhor partido e proveito (financeiro). Porque, se pensares bem, qual é o benefício disto para quem sofre de obesidade?

Esta capa normaliza a obesidade! As pessoas obesas, que são normalmente sedentárias, olham para a capa e assumem que não têm de mudar nada porque também são saudáveis e está tudo bem por continuar com a vida que têm, a comer comida ultraprocessada e a ter uma vida sedentária.

Em 2016, mais de 1900 milhões de adultos com 18 ou mais anos tinham excesso de peso, dos quais, mais de 650 milhões eram obesos.

Organização Mundial de Saúde

Obesidade ou “gordofobia”?

Embora a obesidade muitas vezes seja confundida e relacionada com “gordofobia”, parece-me uma autêntica hipocrisia, uma vez que um conceito designa uma doença grave que desencadeia outros problemas de saúde. A outra palavra está associada a um preconceito por pessoas gordas.

Em vez de normalizarmos a obesidade, porque não prevenir a “gordofobia”?

Desde 1975, a obesidade quase triplicou em todo o mundo.

OMS, Organização mundial de saúde
Cosequências para a saúde devido ao excesso de peso, segundo a OMS:

-As doenças cardiovasculares, uma das principais causas de morte em 2021;

-Diabetes;

– Osteoartrite, doenças degenerativas das articulações muito discapacitante;

-Algunos cancros;

Tudo isto dá que pensar. Realmente temos de ser conscientes sobre as palavras que lemos, usamos e muitas vezes, repetimos. Sobretudo, ser conscientes de quem usa estes conceitos e em que contextos.

Sobre a Dora

A Dora é uma Health Coach apaixonada pelo poder dos hábitos para atingir a mudança. Além disso, ela acredita que é através do movimento que nos entendemos melhor.

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Dora Matos - Health Coach